Review: Lenovo Ideapad Z470
Voltado para usuários domésticos, profissionais liberais e até pequenos negócios, o Ideapad Z470 é um equipamento que incorpora tudo aquilo que poderíamos esperar de um notebook bom e honesto para uso geral.
Medindo 34,1 x 3,4 x 23,2 cm (LxAxP) e 2,32 kg de peso (2,63 kg com seu adaptador de tomada incluso) para os padrões atuais o Z470 pode não ser considerado um modelo com ênfase em mobilidade (como um mini-notebook com tela de 11~12″), encaixando-se melhor no conceito de “desktop replacement” ou seja, um equipamento capaz de substituir um PC de mesa nas tarefas do dia a dia ocupando menos espaço na área de trabalho, além de oferecer recursos ainda raros em desktops, como suporte para redes Wi-Fi e bateria embutida (algo que pode salvar horas de trabalho, principalmente na hora de um apagão).
Fora isso, o que o Z470 perde em portabilidade ele compensa na forma de uma tela maior e um layout menos congestionado, o que pode ser traduzido como conforto de uso.
A primeira vista, o visual externo do Z470 pode parecer bastante simples e até meio monótono, basicamente tons escuros e acabamento brilhante.
Mas dependendo da quantidade e a maneira como a luz incide na sua superfície, ele revela suas verdadeiras cores na forma de tons de marrom semi-transparente…
Com detalhes na forma de pontos que delimitam uma área central formada por uma textura na forma de pirâmides. Discreto e elegante ao mesmo tempo.
Observo porém que essa superfície — apesar de bela — é bastante sensível a riscos de modo que o usuário deve tomar bastante muuuito cuidado para não danificá-la.

Nesse caso, o meu conselho é que ele seja limpo apenas com um pano limpo e macio (por exemplo, de microfibra) de preferência retirando o excesso poeira com algumas batidas com o pano e depois esfregando delicadamente a superfície para remover as marcas de dedos. E na hora de guardar ou transportár o portátil, também sugerimos que ele seja colocado dentro de um estojo, ou capa. Para mim as melhores são aquelas de neoprene sem zíper, facilmente encontradas no varejo.

No geral, o desenho do gabinete do Z470 é formado por linhas retas e contornos suaves, em especial nos cantos cuja espessura cai para até 2,0 cm o que melhora em muito a sua pegada.
Na parte da frente, podemos ver quatro luzes indicadoras de estado. A partir da esquerda temos o indicador de que o touchpad está desligado, a luz de ligado, de carga da bateria e de funcionamento da porta de rede Wi-Fi.
Mais a direita podemos ver a chave liga-desliga da interface Wi-Fi e o slot para cartão de memória flash padrão SD/SDHC, MMC, MS Pro e…
… para minha surpresa, até cartão xD Picture Card! Um padrão meio em baixa nos dias de hoje, mas que ainda é usado por muitos donos de câmeras compactas da Fuji Film e Olympus.
Do lado direito do Z470 vemos as portas de som, uma USB 2.0, o gravador de DVD, mais uma USB 2.0 e a entrada da fonte de alimentação.
Do lado oposto, encontramos o slot para trava anti-furto padrão Kensington, a saída de ar do cooler do processador, uma saída de vídeo padrão SVGA (ainda muito usada em projetores multimídia), rede Fast Ethernet (10/100 mbps), HDMI e mais duas USBs 2.0.
Interessante observar que uma dessas USB também combina a função de porta eSATA, permitindo assim conectar discos externos a velocidades bem mais elevadas (até 6,0 Gbit/s) que os 480 Mbit/s do USB 2.0 e até os 5,0 Gbit/s do novo USB 3.0.
Internamente, a área do teclado do Z470 e bem espaçoso e é dono de um visual limpo com acabamento em alumínio escovado. Que contrastam bem com as teclas na cor preta e letras brancas. As funções secundárias são marcadas em laranja, um toque de design presente nos modelos da Lenovo desde a série 3000.
Ao contrário de outros notes do mercado, o microfone do Z470 não fica na tela e sim num canto do teclado, solução por sinal também adotada em outros produtos da casa, incluindo os ThinkPads.
Mas ao contrário destes, os Ideapads costumam não vir com TrackPoint e sim o com tradicional touchpad cuja área de toque (8,5 x 4,2 cm— LxA) é compartilhada com botão do mouse que é do tipo gangorra ou seja, basta pressionar nos cantos para acessar as funções de botão direito ou esquerdo. Ele tem suporte para multitoque e possui uma textura na forma de micropontos em relevo o que ajuda o usuário a localizar e usar o mesmo.
Uma curiosidade desse notebook é que ele possui um tipo de fecho magnético que utiliza imãs na sua base para mantér o portátil bem fechado sem usar travas. Só tome o cuidado de não deixar um grampo ou clipe de papel grudado no mesmo antes de fechá-lo.
O layout das teclas segue o padrão nacional ABNT-2 e é — de um certo modo — é bastante conservador no sentido de manter o teclado numérico integrado, a prioridade das teclas F1~F12 sobre as teclas de função (como ocorre nos ThinkPad Edge) além de manter algumas funções que muitos modelos até já eliminaram como SysReq, Pause e Break (reminiscências da época dos primeiros IBM-PC que rodavam DOS e emulavam terminais de mainframe).
Alguns podem torcer o nariz para isso, mas eu já prefiro que elas fiquem onde estão por acreditar na filosofia do “ruim comigo, pior sem migo” ou seja, melhor deixar elas ai porque nunca se saba quando iremos precisar delas (aqueles que usam Ctrl-Print Screen que o digam).
Apesar de parecer uma cópia do chamado “teclado chiclete” a criação da Lenovo é algo bem mais elaborado e que foi batizado de “teclado smile” (= sorriso). Hoje ele é praticamente padrão nos novos portáteis da casa, desde o singelo Lenovo G475 até o ThinkPad X1 topo de linha.
E qual a diferença? No diagrama abaixo podemos ver que uma das inovações do teclado chiclete foi o aumento da área de contato da tecla com o dedo (indicado em rosa) o que melhora sua “pontaria” — só que, para reduzir a possibilidade de pressionarmos mais de uma tecla ao mesmo tempo, elas são fisicamente isoladas (daí o termo “island key”), criando assim uma área de tolerância (forgiveness zone) entre elas.
Já a grande sacada da Lenovo foi de não adotar o formato de tecla plana, mantendo-se fiel ao tradicional formato côncavo o que além de ser mais ergonômico faz com que o dedo naturalmente toque na parte central da tecla. Além disso, a forma curva da tecla Smile aumenta sensivelmente a área de tolerância, minimizando ainda mais a possibilidade de pressionar mais de uma ao mesmo tempo. O resultado final é um teclado elegante, preciso e principalmente mais gostoso de usar.
Acima do teclado, podemos ver os alto falantes de 2 watts (um em cada canto), o botão de liga/desliga (com indicador luminoso) e um pequeno botão de recuperação do sistema (mais sobre isso em um próximo post).
Logo a direita — num local de fácil visualização — podemos ver três pequenas luzes indicadoras de estado na cor branca, cujo tamanho e brilho não funcionam bem em ambientes abertos. Cá entre nós, antes isso do que luzes maiores posicionadas em locais estranhos ou mesmo indicador nenhum né?
Mais a direita, podemos ver algumas teclas de atalho (também iluminadas) que controlam algumas funções do portátil.
No geral, a função de cada uma delas é bem clara, com exceção da penúltima com a figura de uma filmadora. Ao pressioná-la surge na tela uma função que a empresa chama de OneKey Theater II – que otimiza o som e o visual da tela para reprodução de vídeos. Esse ajuste pode ser manual (Normal/Filme) ou automático (Inteligente).
Falando em telas, a usada na Z470 é do tipo LCD com retroiluminação a LED de 14″ com resolução nativa de 1.366 x 768 pixels na proporção 16:9, a mesma do padrão HDTV.
Acima dela podemos ver sua webcam de 0,3 MP que pode ser usada para videoconferência….
… e até em sistemas de reconhecimento biométrico como o Veriface 4.0 que já vem pré-instalado no Z470 e que pode ser usado como autenticador no lugar de senhas.
Outra interessante ferramenta de software que acompanha o produto é o EE Boot Optimizer um utilitário que reconfigura o sistema com o objetivo de reduzir o tempo de inicialização do SO. O interessante neste caso é que esse processo é dinâmico, de modo que o utilitário registra os últimos tempos de inicialização do sistema indicando assim se é necessário fazer um nova otimização.
Mas voltando ao hardware, a base do Z470 é de plástico fosco, sendo que na parte de cima podemos ver o compartimento da bateria e logo embaixo a direita um grande tampa…
… que dá acesso aos componentes internos do portátil.
Esse tipo de desenho é adotado pela indústria porque agiliza a montagem de uma configuração na linha de produção, em especial nos casos em que o computador é montado sob encomenda. No nosso caso, a grande vantagem disso é que ela facilita a manutenção/upgrade do portátil, como trocar o disco orginal por um SSD, tirar a poeira do cooler, adicionar mais memória etc.
No nosso caso, o Z470 que recebi para testes veio equipado com um cartão de rede Atheros AR9285 mini PCI-Express de meia altura (também chamada de 1×1) compatível com o padrão 802.11 b/g/n.
Ele também veio equipado com 6 GB de memória SDRAM DDR3 de 1.333 MHz dividido em um pente de 2 GB mais um de 4 GB. Segundo a empresa, o Z470 aceita até 8 GB de SDRAM.
Sua unidade de disco é um Western Digital Scorpio Blue WD6400BPVT de 640 GB, 5.400 rpm e interface SATA 300 (3,0 Gbit/s). Apesar de também existirem modelos de 7.200 rpm, algumas empresas ainda preferem o modelo de 5.400 rpm por consumir menos energia, melhorando assim a autonomia do portátil.
E removendo o cooler do processador…
… temos acesso a processador, um Intel Core i7-2620M com 4 MB de cache e clock 2,7 GHz (~ 3,4 GHz no modo turbo).
Trata-se de um processador Core de segunda geração (codinome “Sandy Bridge”) formado por dois núcleos de processamento (cores), cada um com tecnologia Hiper Threading de modo que o sistema operacional enxerga quatro núcleos de processamento, sendo dois reais e dois virtuais.
Sua aceleradora gráfica é um Intel HD 3000, o mesmo usado nos Ultrabooks. Para os padrões atuais, trata-se de uma solução básica que atende bem as necessidades do usuário para as tarefas do dia a dia e reprodução de vídeos, mas que não oferece recursos mais avançados como suporte para DirectX 11, CUDA, OpenCL, etc.
Finalmente, ao remover um pequeno parafuso localizado perto do disco rígido…
… é possivel remover a unidade de disco óptico.
Trata-se de um gravador de DVD modelo DS-8A5SH produzido pela Lite-ON:
Já a bateria é um modelo de íons de lítio formado por seis células e saída de 19,8 volts e 48Wh.
Seu part number (P/N) é L09S6Y02 e segundo a Lenovo, tem autonomia estimada de 5 horas.
O carregador que acompanha o produto (P/N 36001929) tem saída de 20 volts x 3,25 ampéres e já vem com cabo de força padrão nacional de três pinos, também conhecido como ABNT NBR 14136:2002. Apesar de fornecer a mesma voltagem o seu plug de energia não é o mesmo usado nos Thinkpads.
Sob testes:
O Ideapad Z470 sai de fábrica com o Windows 7 Home Premium pré-instalado, mas para efeito de avaliação costumo formatar o disco rígido e trabalhar com o Windows 7 Ultimate com SP1 e os drivers mais recentes baixados do site na Lenovo.
Acredito que um dos testes de desempenho mais simples e ao mesmo tempo menos compreendido é o Índice de Experiência do Windows. Uma nota que é calculada pelo próprio sistema operacional e cuja escala vai de 1,0 até 7,9 pontos. E como esse teste leva em consideração seu pior resultado, no caso do Z470 o sistema bateu 5,9 pontos.
E o que isso significa? Segundo a Microsoft essa métrica foi criada para orientar o usuário sobre os tipos de aplicações (ou perfil de uso) que melhor se encaixam ao desempenho do PC avaliado. Por exemplo: Se o PC pontuou algo em torno de 1 ou 2 pontos, ele seria mais indicado para tarefas simples como elaborar documentos com o processador de textos ou navegar na Internet. Já para se ter uma plena experiência de uso do Windows 7 — incluindo seus efeitos visuais e de transparências (Aero Glass) — o sistema deveria bater, pelo menos 3 pontos e aqueles que desejam trabalhar intensivamente com aplicações de gráficos e/ou de mídia, o ideal é contar com um sistema que consiga obter no mínimo, 4 pontos ou mais.
E porque considerar apenas a pior nota? Isso pode parecer estranho mas tem sua lógica, já que essa pontuação indica um nível de desempenho (mínimo) capaz de atender as demandas do usuário e o que o sistema oferecer a mais do que isso é lucro. Assim, os 5,9 pontos desse teste nos diz que o Z470 é capaz de realizar tarefas de processamento intensivo, como planilhas eletrônicas, programas em 3D e até processar conteúdo em HD.
Para avaliar melhor essa capacidade, rodamos o HDxPRT 2011 que é um programa de benchmark originariamente desenvolvido pela Intel e que hoje está nas mãos de uma desenvolvedora independente. Ele foi criado para avaliar a capacidade de um equipamento de processar e reproduzir conteúdo de video em HD. Nesse teste, o Z470 bateu 219 pontos no HD Score e cinco estrelas no Play HD Experience.
Já o Sysmark 2012 é um programa que avalia o desempenho de um PC a partir de diversos aplicativos de mercado — que vai do simples aplicativo de escritório até modelagem em 3D. Como referência de desempenho a cada nova versão do programa eles elegem uma máquina de referência que eles cujo desempenho eles consideram ideal e atribuem a esse desempenho a nota 100, de modo que todos os ouros equipamentos serão melhores, iguais ou piores que o mesmo. Assim, como o Z470 bateu 119 pontos na sua avaliação geral, isso nos diz que o portátil da Lenovo pode ser considerado um equipamento veloz e acima da média.
Outro programa muito popular para avaliar o desempenho de um PC em aplicativos é o PCMark Vantage da FutureMark, que seria um concorrente direto do Sysmark da BAPCO. O que é interessante nesse produto é que ele tem uma versão que roda em sistemas de 32 bits que bateu 7.257 pontos:
E outra de 64 bits que bateu 7.451 pontos. O que podemos tirar desses resultados é que aplicações de 64 bits de fato rodam melhor do que programas de 32 bits no Windows 7 de 64 bits.
Outro teste de aplicativo mais recente também da Futuremark é o PCMark 7, cujos resultados — no nosso caso 2.469 pontos — não podem ser comparados com o Vantage.
Para avaliar o desempenho 3D da aceleradora gráfica Intel HD 3000 utilizamos o 3DMark Vantage outro produto da Futuremark que possui a opção de ajustar a sua configuração para diversos perfis de hardware baseado na sua categoria/desempenho. Assim rodamos o programa no modo Entry (mais indicado para modelos de entrada) , cujo resultado foi 9.252 pontos.
E no modo Performance (indicado para modelos mainstream), cujo resultado foi de 2.000 pontos.
Já o Cinebench 11.5 é um programa que avalia o desempenho do processador em OpenGL (uma linguagem gráfica muito usada em aplicações profissionais) e para avalidar a capacidade da CPU de trabalhar imagens no modo de multiprocessamento. Ele também pode ser executado no modo de 32 e 64 bits:
Finalmente rodamos o Peacekeeper um teste online (http://peacekeeper.futuremark.com/) formado por um conjunto de rotinas em Javascript e HTML5, que mede a capacidade do programa navegador em executá-las. E o mais importante: Como ele é na sua essência uma página web, ele pode ser acessado de qualquer browser, rodando sobre qualquer sistema operacional em qualquer tipo de equipamento permitindo até medir o desempenho do browser de um PC com o de um tablet ou mesmo de um smartphone esteja ele rodando Windows, iOS, Linux ou Android. Para efeito de normalização esse teste foi executado no Google Chrome:
Para os padrões atuais onde a regra para estar dentro da moda é ser “leve e fino”, o Z470 pode parecer algo ultrapassado. Mas se levarmos em consideração que a maioria desses novos modelos está sempre abrindo mão de algo para ser “leve e fino” como menos portas de comunicação, menos recursos (como o gravador de DVD ou a porta Ethernet) e arquitetura mais fechada (incapacidade de mexer na memória, processador e até a bateria) o Z470 oferece quase tudo aquilo que alguém poderia querer de um PC para uso geral.
Seu visual é ao mesmo tempo simples e elegante, possui um teclado macio e super confortável e no nosso caso, veio equipado com um processador moderno e veloz e uma generosa quantidade de memória RAM e disco rígido.
Para mim, as reservas que eu faria para esse produto seria apenas em relação ao seu acabamento externo que apesar de belo é muito sensível, ao fato da sua porta de rede Ethernet não ser Gigabit (até dispensável em casa mas desejável em aplicações profissionais) e a ausência de porta bluetooth (algo que hoje pode até ser resolvido com um adaptador USB de baixo custo).
Como disse no início desse post, para mim o Z470 é um equipamento honesto ou seja, faz o que promete, não esconde nada por trás de algum enfeite ou nome complicado e está ai para o que der e vier. Devido ao seu tamanho e capacidade de processamento, ele é uma alternativa para o computador de mesa, tanto para uso em casa, no escritório ou em qualquer lugar já que — acima de tudo — trata-se de um portátil!
























































