Custo x Benefício: Vale a pena investir num modelo do ano passado?

Por Mário Nagano - - Hardware
Custo x Benefício: Vale a pena investir num modelo do ano passado?

Com o recente anúncio do processador Intel Core de quarta geração — codinome Haswell — no mês passado (junho/2013) tem início o processo natural de atualização, anúncio e lançamento dos novos desktops e portáteis baseados nesta nova plataforma que devem chegar ao nosso mercado nos próximos meses a tempo para as vendas de natal.

Como sempre esses novos chips vem com a promessa de maior desempenho, menor consumo de energia, aceleradora gráfica mais veloz, novos recursos mirabolantes, etc. — ou seja — motivos de sobra para você começar a pensar na troca do seu PC atual por um novo modelo.

 


Mas peraí, todo esse confete em cima do novo Core ix de quarta geração “Haswell” já não tinha sido jogado em cima do de terceira geração “Ivy Bridge” e antes dele sobre o de segunda geração “Sandy Bridge” e assim por diante?

Sim, é fato que o mercado de tecnologia evolui num ritmo alucinante e que para se manter viva a indústria deve sempre ter uma novidade saindo do forno todo ano, ao mesmo tempo que o seu sucessor já está pronto para ir pra forma e a receita do seu sucessor já está, no mínimo, sendo testada.

Do ponto de vista do consumidor isso pode parecer injusto, já que a impressão que temos é de vivermos constantemente sob o dilema do ovo ou da galinha ou seja, vale a pena investir hoje na atual plataforma ou esperar algum tempo pelo novo modelo, que todo mundo sabe ficará “velho” com a chegada do seu sucessor no ano seguinte?

Eu passei um bom tempo com essa dúvida na cabeça e curiosamente, a melhor resposta que já ouvi veio de um ex-presidente da Intel Brasil que disse mais ou menos o seguinte:

“Se ficar sempre esperando pelo modelo mais novo você nunca comprará nada. Assim meu conselho é que o consumidor invista no melhor modelo que seu orçamento permitir e que tire o máximo proveito dele enquanto puder.”

Na época isso me pareceu meio que papo de presidente de empresa de semicondutores mas, com o passar do tempo, sua opinião mostrou ser bastante sensata já que ele se baseia em fatos que, a cada dia, ficam mais evidentes:

A primeira delas é que computador não é investimento ou seja, ao contrário de outros bens duráveis como carros, os atuais computadores estão mais para TVs de tela plana ou mesmo smartphones que, a cada dia, ficam cada vez mais poderosos e mais ricos em recursos, o que faz com que o valor de revenda dos modelos anteriores não seja lá grande coisa.

Isso significa que o único retorno garantido que o usuário vai ter do seu PC será na forma de produtividade (ajudando-o no trabalho ou nos estudos) ou em satisfação pessoal já que ele proporciona uma fonte quase que infinita de distração e/ou entretenimento.

A segunda é que nem sempre pagar menos significa economizar no médio e long prazo. Isso porque os chamados modelos de entrada costumam apresentar um desempenho modesto se comparado com os equipamentos mainstream ou mesmo topo de linha e em muitos casos, as configurações estão no limite da usabilidade, caso da quantidade de memória SDRAM e da capacidade do disco rígido.

Sob esse ponto de vista, investir num equipamento que, a primeira vista pode parecer superdimensionado hoje, pode atender o usuário por muito mais tempo mesmo que sua demanda de processamento e/ou armazenamento aumente com o passar dos anos ou seja, ele demora mais para ficar obsoleto, adiando assim a necessidade de investir em um novo PC.

Com isso eu não quero dizer que não vale a pena investir num sistema de entrada e sim que o usuário deveria ter uma idéia clara das suas necessidades de computação pessoal e, na medida do possível considerar uma configuração melhor que possa atendê-lo por mais tempo.

Além disso, com a chegada do novo Core ix de quarta geração, os consumidores não deveriam torcer o nariz para os sistemas com chips Core de terceira e segunda geração. Isso porque ao contrário do passado, o grande desafio dos fabricantes não está tanto na melhora da capacidade de processamento e sim na sua eficiência energética (o chamado Performance per Watt) de modo que, caso mobilidade ou desempenho gráfico extremo não sejam a sua prioridade, os sistemas mais “antigos” baseados em chips Core i5/i7 “Sandy Bridge” ou “Ivy Bridge” ainda são equipamentos capazes de fazer bastante coisa.

E com a chegada do Haswell, ainda existe a tendência dos modelos “do ano passado” baixarem de preço ou mesmo serem queimados em grandes ofertas. Uma boa dica neste caso é o usuário visitar o Outlet da Lenovo (shop.lenovo.com/br/pt/outlet/notebooks/#/?facet-1=1,2,3,4&page-index=1) onde podemos encontrar ofertas muito interessantes (especialmente na linha ThinkPad) a preços bem atraentes.

No meu caso, eu troquei recentemente meu ThinkPad X60s que me serviu fielmente por mais de cinco anos por um ThinkPad X201 por sinal, o modelo que ilustra o iníco deste post. Trata-se de um modelo de 2010 que achei novo numa loja (provavelmente uma ponta de estoque) e paguei o mesmo que um note de supermercado. Tudo bem que sua bateria dura apenas 5 horas contra 8 a 9 horas do Haswell, mas para mim isso não faz diferença.

E olha que não aposentei o X60s por causa do seu desempenho e sim porque meu trabalho não cabia mais na sua telinha de 12″ de 1.024 x 768 pixels.

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