Portas de vídeo e adaptadores: Você conhece as diferenças?

Por Mário Nagano - - Hardware
Portas de vídeo e adaptadores: Você conhece as diferenças?

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Dias atrás recebemos o comentário de um leitor que relatou sua dificuldade de conectar seu portátil da Lenovo equipado com porta HDMI num projetor multimídia com porta VGA mesmo com o uso de adaptador cuja marca/modelo não foi citado.

Esse problema é bem mais comum do que muitos imaginam e, apesar da solução ser relativamente simples, o motivo disso acontecer envolve alguns detalhes que, de tão técnicos me animou a escrever um post mais detalhado sobre esse assunto, que pode ser útil em outras ocasiões.

Então, senta que lá vem história:
Resquício da era do monitor de tubo, a porta VGA — também conhecida como conexão RGB — é uma interface de vídeo analógica criada pela IBM em 1987 por onde trafegam sinais de vídeo componente RGBHV ( vermelho, verde, azul e de sincronismo horizontal/vertical). Seu formato mais conhecido é o D-SUB fêmea de 15 pinos na cor azul, apesar do preto também ser bastante usado:

Ele tem um certo nível de parentesco com outros padrões meio antiquados do mercado como o S-Video, Video Componente, SCART, etc. o que facilita o uso de adaptadores já que o que muda na sua essência é o formato dos conectores e o caminho que cada sinal percorre entre o pino de entrada até o de saída:

Observe que para um PC (que gera imagens digitalmente) transmita um sinal de vídeo analógico para um monitor de tubo com porta VGA, é necessário fazer a conversão digital-analógica (ou DAC — http://goo.gl/Hso5NL) por meio de um circuito interno da placa de vídeo.
Já em 1999 surgiu o DVI (Digital Visual Interface) a primeira interface criada para ligar um PC em monitores LCD por meio de uma conexão totalmente digital:

Ela foi concebida para ser uma interface bastante flexível, permitindo a conexão de um ou dois monitores ao mesmo tempo e até transferir dados como se fosse uma USB. E para ser retro-compatível com os monitores/projetores multimídia equipados apenas com porta VGA (que existem até hoje) o DVI também foi desenhado para transmitir sinais analógicos.

O curioso é que para atender a essas demanas, existem diversas variações do DVI equipado com mais ou menos conexões/pinos, sendo os principais deles o DVI-I (digital e analógico), DVI-D (só digital) e raro DVI-A (só analógico). A maneira mais simples de identificar uma porta DVI que tenha sinal analógico é ver se o mesmo possui os quatro furos a direita (seta ambaixo):

Sem eles, o adaptador DVI para VGA…

… simplesmente não encaixa no conector da saída de vídeo do computador:

Isso mostra que o DVI ele é de fato um formato híbrido criado para atender as demandas de um mercado que começava a migrar do padrão analógico do passado para o digital dos dias de hoje. Vale a pena observar que, em nome da retrocompatibilidade, alguns monitores LCD dispõe de ambas as interfaces o que faz com que muitos ainda usem o VGA mais por uma questão de hábito ou mesmo por comodidade.

Neste caso, entre uma e outra, recomendamos o uso do DVI no lugar da VGA já que — sob um certo ponto de vista — conectar um PC a um monitor LCD via VGA é meio que um antagonismo, já que como dissemos antes, o sinal digital gerado pelo computador é convertido para analógico para ir até o monitor, onde um segundo circuito interno converte novamente para digital para ser apresentado na tela. Já no DVI os sinais digitais trafegam diretamente de um ponto para outro sem passar por conversões, mas temos que reconhecer que o resultado final é praticamente o mesmo.

Mas todo esse esforço de manter as coisas simples para o usuário final pode ser a origem de algumas confusões como veremos adiante.
Como já foi dito, o DVI cumpriu bem o seu papel de inteface de transição, mas ele não era a melhor solução para a indústria de eletrônicos de consumo que a cada dia fica cada vez mais digital. Para essa indústria, o conector DVI é grande, meio desajeitado, ainda usa parafusos na sua fixação (quem nunca apertou um desses com uma ponta de faca?) e o mais chato: ele não transmite sinais de áudio, algo até perdoável num desktop (com suas caixinhas de som externas) mas muito desejado numa TV, filmadora ou player de vídeo.

Para corrigir esses problemas a indústria adotou em 2003 uma nova interface de vídeo chamada HDMI (High-Definition Multimedia Interface) uma interface totalmente digital onde também é possível trafegar sinais de áudio, vídeo e até dados (ou mais exatante comandos que permitem controlar diversos dispositivos interligados via HDMI com o mesmo controle remoto )…

… e tudo isso num formato bem menor e mais simples que o DVI (a direita) e que hoje é praticamente sinônimo de TV de alta definição…

… e um padrão que se espalhou pela indústria, o que fez com que o conector original (tipo A) assumisse outros formatos para atender a demandas específicas do mercado, desde conectar câmeras e celulares (tipo C e D) até um específico para uso em carros (tipo E) mais resistente a vibrações.

Lenovo_video_DVI_tipos
Outra vantagem do HDMI é que ele ele é retro-compatível com o DVI-D de modo que é possível o usar cabos e adaptadores simples e acessíveis, porém sem o suporte de som.

Já converter o HDMI para o VGA é uma tarefa mais complexa, já que muitas das atuais aceleradoras gráficas (especialmente as usadas em portáteis) não possuem mais conversor digital para analógico embutido de modo que a única saída de vídeo é digital e isso precisa ser feito externamente por um circuito eletrônico (ativo ou passivo) localizado no adaptador.
Em alguns modelos isso fica mais evidente…

… enquanto que em outros o conjunto é menor e mais elegante passando a impressão de nem abrigar um circuito no seu interior.

O problema neste caso é que como o padrão de vídeo analógico trabalha com diversas resoluções e taxas de atualização existe a possibilidade do conversor não ser 100% compatível com todos os equipamentos do mercado.

De fato são tantas variáveis — ou coisas que podem dar errado — que nossa recomendação é que o usuário sempre opte por um conversor da mesma marca do seu computador (ou pelo menos homologado pelo fabricante) já que isso é garantia que, no caso de problemas, o usuário tem onde aonde pedir ajuda.
Neste caso, a empresa oferece um modelo específico para essa aplicação, o Lenovo HDMI to VGA Adapter (P/N 0C19903):

Lenovo_video_adaptador_HDMI_VGA

Mesmo com toda a popularidade do HDMI, a indústria acredita que ainda existe espaço para uma interface ainda mais veloz, poderosa e versátil sendo que em 2006 o Video Electronics Standards Association (VESA) anunciou a versão 1.0 do DisplayPort.

Lenovo_video_DisplayPortSeu conector (à esquerda) lembra vagamente o HDMI (à direita) de modo que fouve a preocupação de que o plug HDMI não encaixasse no DisplayPort e vice-versa. Outra melhoria deste novo formato é que seu plug macho possui uma trava que mantém o conector firme no lugar, ao contrário do HMDI que ficava apenas pela pressão do encaixe.

Lenovo_video_DisplayPort_comparadoE ao contrário dos seus antecessores, os sinais digitais trafegam no DisplayPort na forma de pacotes de dados (data packets) como nas redes Ethernet, portas USB e PCI Express. Assim — na teoria — o protocolo de comunicação do DisplayPort não é o mesmo do HDMI/DVI-D de modo que é necessário o uso de um circuito passivo montado no conector…

… que converte os packet data para um protocolo compatível com HDMI-D como o DisplayPort to Single-Link DVI Monitor Cable da Lenovo (P/N 45J7915) …

… ou o mesmo para VGA, caso do Lenovo DisplayPort to VGA Analog Monitor Cable (P/N 57Y4393):

E como no caso do HDMI, o DisplayPort também possui uma versão compacta — o chamado DisplayPort mini — que está sendo muito usada em placas de vídeo com mais de duas saídas de vídeo e em Ultrabooks onde a disponibilidade de espaço é bem mais limitado como é o caso do ThinkPad T430u (embaixo):

Para isso a Lenovo também possui um acessório específico, o Lenovo Mini-DisplayPort to VGA Monitor Cable (P/N 0A36536):

Outra possível solução mais genérica que pode contornar esse problema são os adaptadores USB para vídeo um dispositivo que como o próprio nome sugere, transforma qualquer porta USB em saída de vídeo VGA/DVI-I como o Lenovo USB 3.0 to DVI/VGA Monitor Adapter (P/N 0B47072). Essa solução por sinal também é recomendada para aquelas aplicações que precisam do que mais de um monitor ligado no desktop/notebook.

Como podemos ver, soluções existem mas é preciso saber aonde você está pisando para decidir pelo caminho certo a ser percorrido.
Simples, não?

 

 

 

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